sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

It's Life


 
"Em todas as idas e vindas, obscuramente eu sempre sabia: embora tudo mude , nada muda por que tudo permance aqui dentro, e fala comigo, e me segura no colo quando eu mesma não consigo sustentar. E depois me solta de novo, para que eu volte a andar pelos meus próprios pés. A vida é mãe nem sempre carinhosa, mas tem uma vara de condão especial: o mistério com que embrulha todas as coisas, e algumas deixa invisíveis."

Silêcio



'Continuo a velha cria do tempo. Incontrolável. Paciente. Consegui tirar a areia dos pés. Me desfiz das incertezas que grudaram no cabelo. Lavei o sal do corpo e agora vivo assim, fazendo doces de mim. Evoluo no meu papel de ser mar ou ser nada. Adoço a vida não porque ultrapasso a leveza de um pássaro. Adoço porque eu preciso fazer a alma sorrir enquanto a fechadura do desânimo não arrebenta o chão das certezas. Continuo a velha cria do que um dia não aconteceu. Ainda sou a velha cria do que nunca foi dito. Por isso, se eu escolher o silêncio, por favor, por tudo o que nos une: respeite. O meu amor há de ter maior força. E tem. E grita – no momento certo. Enquanto ele não vem, não cante os erros em um tom maior que o nosso. Porque depois de cegar, o amor ensurdece. E agora, além da certeza de que nada mais cantará tão certo como o caminho das reticências famintas de mim, entendo o último parágrafo que envolve o meu corpo: eu preciso muito me ouvir.'

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Eu teria escrito pra você!



'E daqui de dentro, olho pro nosso amor com um único olhar, o mais bonito. Enxergo novo e eterno - quando dura um dia. Escrevo no tempo pra contrariar as despedidas e os adeuses que esperam na sala, o dia em que não te pertenci. Reescrevo esse amor pra salvar algumas estrofes que ficaram no meio do caminho e ver a tua língua folheando os meus versos. Memorizo suas linhas e vírgulas. Tiro os pontos finais, reticencio a tua chegada, deixo pra outro dia a demora e amo você todos os dias de novo e de novo. Amo com o mesmo tentar de todas as vindas. Sem aquela história perfeita. O que eterniza esse encantamento são os nossos defeitos perfeitos. O sal da lágrima, o cheiro da terra molhada marcando os teus passos de volta, a tua alegria nos quadros e paredes. Amo. Amanhã novamente. Quando acordo e deito. Quando lembro e esqueço o meu sorriso na cama. Você e todos os seus olhares que pousam no meu corpo e alçam vôos logo em seguida. Amo você que me ganha quando me devolve pra tua vida, de corpo inteiro. Amo com o amor que não tenho. Nasci pra te amar profundo e gosto do que vem pra arrancar sorrisos, estralar os dedos, brincar no colo. Gosto do que vem de você, sempre bem embrulhado com papel de sempre, com cheiro de quem quer ficar agora e em qualquer eternidade que aceite nós dois. E suspeito que é aos poucos que te entendo mais que muito, que o teu avesso revela o meu mundo e que em mim qualquer amor acaba eterno, de agora, sem antes ou apesar de e mesmo que não dure, dentro de mim alguma coisa ainda acontece - um punhado de estações que esqueceram de anoitecer.

Só porque o teu amor abre as comportas do céu de dentro e o meu, é a alegria mais séria do mundo.'